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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

La Dolce Vita (dos filhos do todo poderoso).


Crédito da ilustração: www.contraovento.com.br

La Dolce Vita (dos filhos do todo poderoso).

Da Folha de 29/12/2010:

Oi eleva repasse a empresa deficitária de filho de Lula

Gamecorp acumula prejuízo de R$ 8,7 milhões e dívidas de mais de R$ 5 milhões

Beneficiada por decisão do governo, tele é maior cliente da empresa de Lulinha, que produz conteúdo para televisão

ANDREZA MATAIS
EM SÃO PAULO
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
SHEILA D'AMORIM
DE BRASÍLIA

Quatro anos depois de se associar à gigante de telefonia Oi, a Gamecorp, empresa que tem entre seus sócios um filho do presidente Lula, acumulou prejuízo de R$ 8,7 milhões até 2009 e dívidas que somam mais de R$ 5 milhões.
Mesmo assim, o negócio administrado por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, continua recebendo investimentos da Oi e atraindo sócios.
Desde 2007, a Oi -então Telemar, UMA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO QUE RECEBEU UMA SÉRIE DE INCENTIVOS DO GOVERNO LULA- aumentou em 28% o aporte na empresa, contra inflação acumulada de 11%.
O NEGÓCIO É ALVO DE INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL, ATÉ HOJE INCONCLUSA. A Oi fechou 2009 com prejuízo de R$ 436 milhões.
Como a Folha revelou ontem, LULINHA E OUTRO FILHO DO PRESIDENTE LULA, LUÍS CLÁUDIO, CRIARAM DUAS HOLDINGS NESTE ANO. OS DOIS SÃO SÓCIOS EM SEIS EMPRESAS.
QUANDO O PAI SUBIU A RAMPA DO PLANALTO, EM 2002, ELES ERAM ESTAGIÁRIOS.
Com BNDES e fundos de pensão como principais acionistas, a Oi é a única grande cliente da Gamecorp, que faz conteúdo para TV veiculado pela OiTV e pela Sky -que não tem a tele como sócia.
SEGUNDO O BALANÇO DE 2009, A OI PAGOU À GAMECORP R$ 3,6 MILHÕES POR "COMERCIALIZAÇÃO DE SERVIÇO". DOIS ANOS ANTES, O VALOR DESTINADO PARA A MESMA RUBRICA TINHA SIDO DE R$ 2,8 MILHÕES. (...) O AUMENTO NO APORTE DA OI OCORREU DURANTE O POLÊMICO NEGÓCIO QUE TRANSFORMOU A OPERADORA NA MAIOR EMPRESA DO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES DO PAÍS GRAÇAS À AJUDA DO GOVERNO E SOB SUPORTE DE EMPRÉSTIMOS NO BNDES.
SOB O ARGUMENTO DE CRIAR UMA "SUPERTELE NACIONAL", O GOVERNO LULA ALTEROU AS REGRAS DO SETOR PARA VIABILIZAR A FUSÃO COM A BRASIL TELECOM. EM 2010, O GOVERNO JÁ TOMOU AO MENOS TRÊS DECISÕES QUE BENEFICIAM A TELEFÔNICA.
Entre elas, a de adiar para maio de 2011 o novo plano de metas para as operadoras -que, mantido o prazo original, forçaria a Oi, endividada, a fazer investimentos.
A ANATEL (AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES) LIBEROU O MERCADO DE TV A CABO PARA AS TELES. A OI FOI A ÚNICA BENEFICIADA, POR TER CAPITAL MAJORITARIAMENTE NACIONAL, PRECONDIÇÃO PARA A ATUAÇÃO NESSE SETOR.
A agência decidiu também incluir mais um dígito nos celulares em São Paulo para aumentar os números disponíveis para venda, o que ampliou a possibilidade de entrada da Oi nesse mercado.

(...)A parceria Oi-Gamecorp começou em 2005, quando a operadora aumentou o capital da empresa em R$ 2,7 milhões e pagou R$ 2,5 milhões pela exclusividade dos serviços. Em 2006, injetou outros R$ 5 milhões.

NOVOS SÓCIOS
Mesmo com dívidas e compromissos que superam o valor dos créditos e bens, a Gamecorp também atraiu como sócio Jonas Suassuna, dono do Gol Grupo, conglomerado que atua em diversos segmentos e VENDE LIVROS DIDÁTICOS A GOVERNOS. Parente do ex-senador Ney Suassuna, Jonas fez fortuna com venda de CDs da Bíblia gravados por Cid Moreira. Em 2007, investiu R$ 1,35 milhão na Gamecorp.

Da Folha de 30/12/2010:

Empresário paga aluguel de R$ 12 mil de filho de Lula

Lulinha diz que se mudou quando se separou, em 2007, e que assumirá contrato

Jonas Suassuna afirma que vai parar de pagar, mas até última semana mudança não havia sido feita, segundo o dono

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA

Um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís, mora desde 2007 em apartamento alugado por R$ 12 mil nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. QUEM PAGA A CONTA É UMA EMPRESA COM CONTRATOS COM VÁRIOS GOVERNOS, ENTRE ELES O FEDERAL.
Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, não é sócio da empresa que paga o aluguel.
Mas o Grupo Gol, que alugou o apartamento, é do empresário de mídia e mercado editorial Jonas Suassuna, sócio de Lulinha em um outro negócio, a empresa de conteúdo eletrônico Gamecorp.
(...) Há uma unidade por andar, com quatro suítes e o mesmo número de vagas na garagem. O último pavimento conta com deck e piscina. O valor de cada unidade é estimado em R$ 1,8 milhão.
(...)Outro filho de Lula, Luís Claudio, também mora num apartamento nos Jardins, mas em prédio menos luxuoso do que o do irmão.
(...) O escritório de Lulinha também fica nos Jardins. No mesmo endereço está o escritório da Editora Gol, de Suassuna, e também registrada a G4 Participações, uma das empresas de Lulinha.

Breve comentário deste humilde blogueiro:
Ou seja, penso eu, o que devem dizer os fanáticos lulopetistas, incluindo uma récua de empresários e de muitos professores universitários mamadores de benesses, enquanto temos reconhecidamente uma das piores educações do mundo? Que tudo isso é mentira? Que Lula não tem nenhum envolvimento com nada? Que Lula fez um governo extraordinário, sem inflação (essa é boa) e com erradicação da pobreza (essa é melhor) e escândalos devem ser engolidos pelo povo (que, aliás, nem sabe de nada porque não lê nada mesmo em um país com os livros, jornais e revistas mais caros do mundo)?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O mestre dos desejos...



Essa sequencia de filmes de terror “trash” e divertida (pelo menos os dois primeiros filmes) contava a história de certo gênio (djin) que, uma vez solto, passava a atender os desejos das vítimas ao “pé da letra”. Dessa forma, o indivíduo que queria dinheiro recebeu em troca a queda de um avião ganhando o seguro da mãe. Uma mulher que queria eternizar a sua beleza foi transformada em um manequim de vitrine. Um preso que queria sair das grades, saiu mesmo, sendo esmagado para passar no exíguo espaço. E por aí ia.

Mas certo parente (mais) amalucado desse gênio veio parar em um reino da América do Sul em que o povo era ignorante e fácil de enganar, os Emirados Idiotas Unidos. O rei estava a passear com um de seus milhares de assessores, quando se deparou com a famosa lâmpada e, já que tinha a mania de pegar o que era dos outros, pegou o objeto e libertou o gênio. O gênio, penalizado com a situação do reino, passou a escutar os pedidos do rei e se dispôs a resolver todos os problemas:

1- Gênio, meu “fio” (o rei falava errado como quase todo mundo no reino), temos uma das piores “educação” do mundo. Vê aí o que tu faz. O gênio disse: ora, caro rei, muito simples. Crie cotas para os menos favorecidos nas universidades, dê bolsas a rodo para as pesquisas mais incompetentes dos professores universitários e crie mestres e doutores do nada, baixando o nível das pós-graduações. O rei disse: magnífico! Esse gênio é demais, embora o conselheiro lhe dissesse que o problema estava mesmo na educação básica e no investimento em boas instalações e professores.

2- Gênio, a “violença” no reino tá de lascar. Dê um jeito. O nosso caro gênio lhe disse: já está dado; não divulgue mais os mapas da violência (o que foi feito, já que o último saiu em 2008), mesmo porque ninguém lê nada na porcaria desse reino, e atrase os dados para as estatísticas mundiais. Nem é preciso dizer que o conselheiro disse que esse grave problema só se resolvia com controle de natalidade, educação forte e empregos bem remunerados. E nem é preciso dizer que o rei já se irritava com o conselheiro.

3- Gênio, a pobreza tá demais e os “preço” num "para" de subir. Nosso PIB tá caindo. E o gênio disse: fácil, fácil essa. Distribua bolsas consolo, congele os salários da classe média, diminua os juros ou estimule o crédito para o populacho comprar em parcelas ilusórias de até 1001 vezes, divulgue índices falsos de inflação e aumente só o salário mínimo. Isso vai causar aumento dos preços e mais desemprego, mas é um pequeno efeito colateral. Quanto ao PIB, esqueça. Só poucos dos mais velhos lembram que seu reino já teve o quinto maior PIB do mundo. O conselheiro lembrou que um dia a bolha ia estourar, mas o rei nem lhe deu ouvidos.

4- Magnífico gênio, meu filho, o príncipe, não tem dinheiro. O gênio disse: mas que pedidos fáceis... Mande-o criar uma empresa de fachada e vender por uma nota a uma empresa grande que esteja interessada em um grande negócio que precise do seu aval. O rei vibrou com tamanha inteligência (desonestidade) do gênio.

5- Ó grandioso gênio. Quero o apoio da oposição. O gênio disse: crie uma mesadinha para ela que está resolvido. Faça aliança com os piores facínoras e crie e distribua cargos a rodo.

6- Por fim, grande gênio, vou lhe fazer um pedido: quero o nosso futebol modernizado que nem o das “Oropa”. O gênio disse: fácil, fácil. Encolha o tamanho dos estádios, aumente o preço dos ingressos, permita a venda de todo jogador para fora do reino e os otários vão continuar acreditando que o futebol é honesto. O conselheiro disse: mas isso vai falir nossos clubes e nossos campeonatos vão virar “babas”. Ao que argumentou o gênio, calando o conselheiro: e torcedor tem cérebro?

O conselheiro disse ao rei: mas esse gênio é um picareta. Isso não vai resolver nada na base dos problemas. O rei prontamente demitiu o conselheiro e quis fazer do gênio seu primeiro ministro. Esperto, o gênio lhe disse: Ó rei, esse cargo eu não quero. Já estou acostumado a “resolver” problemas dos seus antecessores e toda hora surgem novos problemas, não faço idéia do por quê. Visitei até outros reinos, onde criei até a guerra das Malvinas e a do Iraque, mas os imbecis não souberam fazer a coisa certa. Mas garanto que sua administração vai ser um sucesso. E se escafedeu de volta para a lâmpada, esperando no conforto pela visita de outros reis.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Futebol manipulado transforma torcedores em bobos de falsa religião?



Inspirado em algumas discussões anteriores, com um educado participante do blog, resolvi fazer esta postagem, talvez uma das últimas, por um certo tempo, sobre futebol (favor notar o emblema no paletó do Al Capone acima).

Conforme informação do UOL esportes de agora a pouco:
“O Vitória escreveu nesta noite mais um capítulo de uma das maiores rivalidades (leia-se - colocação minha - de mais uma vergonha) do futebol brasileiro. Entrou em campo com um time sub-17 para pegar o Treze pela última rodada da fase de classificação da Copa do Nordeste e empatou sem gols com o time paraibano no Barradão. (...) Com o empate, o Vitória, já classificado, eliminou o Bahia, que dependia de uma derrota do Treze para também avançar às semifinais.Os poucos torcedores que compareceram ao Barradão pouco se importavam com o fato de que, se vencesse, o Vitória poderia chegar à segunda colocação e decidir em casa no único jogo da semifinal do torneio. Das arquibancadas vinham pedidos para que o time mantivesse o empate sem gols que eliminava o Bahia. Com a confirmação do empate, que também era bom para o Treze, que ficaria em quarto com uma vitória ou um empate, a torcida fez a festa nas arquibancadas do Barradão.”

Ou seja, mais um triste capítulo na história do futebol brasileiro. E o pior, com a maioria achando que tem que ser mesmo assim, que é normal e certo. Algumas outras vergonhas históricas, que só bebê de até dois anos pode acreditar de que não houve manipulação (vale a pena ler, façam uma forcinha; leiam em partes, se for o caso):

1- Brasileirão (não sei por que o aumentativo para campeonato que mais parece pelada) de 2005: Dualib, presidente do Corinthians, foi pego declarando que manipulou e comprou. Partidas foram anuladas naquele ano por causa da máfia do apito, de forma correta, exceto uma, a que o Corínthians havia perdido do Santos por 4x2 e o juiz fora comprado pela máfia para dar a vitória ao Corínthians; ora, por que anular essa partida se o derrotado era o preferido do juiz, embora não tivesse culpa?
2- Última rodada da série B de 2006: o Sport, já classificado para a série A e sem chances de ser campeão, perdeu em casa para a 'carniça" de time que era a Portuguesa, único resultado que a salvaria do rebaixamento.
3- Mesmo campeonato: o Atlético (MG), já campeão, enfrentava em casa o bem inferior América (RN) que precisava do empate. Os mineiros abriram 2x0 mas o América empatou...
4- Campeonato baiano de 2008. O Bahia era quase campeão. Havia ganho de 4x1 do Vitória no Barradão. No jogo em Feira (a Fonte estava desativada) o juiz anulou um gol legítimo do Bahia no início da partida, expulsou o melhor jogador do Bahia e deu cartão amarelo para todos os jogadores pendurados do tricolor. Resultado: Vitória 3x0 e o Bahia perdendo o jogo seguinte para o Itabuna pois jogou praticamente com os reservas. Vitória campeão em gols marcados (não foi nem em saldo).
5- Campeonato brasileiro de 2003. O Grêmio, praticamente rebaixado e sem time, começou a ganhar partidas seguidas de times que não aspiravam mais nada, a última delas contra o Corínthians, e escapou. O próprio presidente do Criciúma se afirmou como torcedor do Grêmio, que ganhou fácil desse time, mesmo jogando em Criciúma. Na partida seguinte, o Criciúma jogou como se fosse final de Copa do Mundo e ganhou do Bahia, que foi rebaixado.
6- Campeonato de 1999. Alguns times perderam pontos e outros ganharam, no tapetão. O São Paulo seria desclassificado e paralisaria todo o campeonato a menos que ganhasse em Salvador do bom time do Vitória, já classificado. A CBF tinha interesse, óbvio, em contornar o problema. O Clube dos 13 também. O Vitória foi pressionado e levou 3x0. No outro ano, foi admitido no Clube dos 13.
7- Campeonato paulista da terceira divisão em 2009: o São Bernardo, já garantido, com campanha brilhante, sem uma única derrota em casa, leva 5x0 em seus domínios, na última partida, de um timeco, tentando ajudá-lo.
8- Campeonato amazonense de 2009: o outrora saudoso Rio Negro, que por anos revezava com  Nacional pelo domínio estadual, leva 10x0 do então desconhecido e irrelevante América do Amazonas, que se classifica pelo saldo de gols.
9- Campeonato gaúcho na década de 80: o Grêmio é obrigado a perder para se classificar, num show de incompetência da federação. Caso não perdesse do Caxias, o Inter levaria o segundo turno e o campeonato (havia ganho o primeiro). Como o Grêmio perdeu, forçou um triangular com o Inter, o Caxias e ele...
10- Taça São Paulo de 1976, antes do campeonato estadual: a Portuguesa tinha que dar 5x0 no então excelente time do Guarani, em Campinas, para se sagrar campeã, jogando o São Paulo para vice. Precisa dizer quanto foi o resultado?
11- Campeonato Inglês de 2008. O Manchester United, campeão por antecipação, enfrentaria na última rodada em casa um dos piores times, o West Ham, quase rebaixado. O West ganhou de 1x0 e escapou.
12- Um dos campeonatos brasileiros da década de 90. O Vitória tinha que golear o União São João na última rodada para não cair. Terminou o primeiro tempo levando 1x0. O presidente do Vitória "passeou” pelo vestiário do União no intervalo e o jogo terminou Vitória 6x1.
13- Campeonato brasileiro de 1996: o Bahia precisava, pra não depender da vitória contra o Flamengo, que o bom time do Vitória (mais uma vez ele) não perdesse do Flu, então um arremedo de time (havia levado até 6x0 do Sport Recife) em Salvador. O Vitória vendeu o mando de campo para Cariacica (ES) e levou um 3x1 em que jogou apaticamente. Deatalhe: nunca recebeu o dinheiro do Flu, que terminou sendo rebaixado, e os jornais da Bahia classificaram como vergonha.
14- Campeonato brasileiro de 1997: o Vasco, com campanha irretocável (foi o campeão) jogaria contra o desfalecido Guarani, que precisava desesperadamente da vitória para não cair. O Vasco levou 4x2 em gols tão ridículos que seus zagueiros saíam da frente das fracas bolas chutadas pelo Guarani, bem aceitas pelo goleiro vascaíno. Na mesma noite, o Goiás perdia em casa para o então combalido Corinthians, salvando-o de um rebaixamento certo, em um episódio tão vergonhoso que à época, até o corintiano Juca Kfouri disse: “Isso não foi nem uma marmelada. Foi uma Goiasbada”.
15- Campeonato brasileiro de 2010: Inter (que tinha, poucas rodadas atrás, amplas chances de ser o campeão) e Palmeiras brincam de participar, na reta final, prejudicando diversos times. Na série B, a Ponte faz a mesma coisa.
16- Campeonato brasileiro de 2009: precisa dizer alguma coisa?
17- Campeonato brasileiro de 1985: o Bahia perde de propósito, em casa, para o “grande” time do Brasil de pelotas (RS) pra eliminar o Flamengo, com o apoio da própria torcida.
18- Campeonato brasileiro de 2003: o Bahia conseguiu a façanha de dar quatro pênaltis ao Cruzeiro em plena Fonte Nova, em total desrespeito à sua torcida.
19- Série C de 2006: os jogadores do Bahia, com salários atrasados, escrevem um capítulo negro na história do time, levando 7x2 do “grandioso” Ferroviário do Ceará, em mais um desrespeito às tradições do time e à sua torcida.
20- Série B de 2006 (mas que campeonato sem vergonha esse...): o Paysandu sofreu um boicote tão intenso por parte dos seus jogadores (o velho atraso de salários que vinha matando o Bahia e quase matou o Náutico) que de candidato ao acesso e sensação (chegou a dar 6x2 na Portuguesa em São Paulo) foi rebaixado, tendo levado até de 9x0 do Paulista.
21- Série B de 2007: o Vitória sofre boicote dos seus jogadores contra o técnico e contra atrasos salariais e toma 6x0 do Brasiliense. Nesse mesmo campeonato, o Vitória conquistaria o acesso para a série A...
22- Copa de 82:  Alemanha 1x0 Áustria foi um dos jogos mais vergonhosos que já existiram, com o resultado classificando os dois, que passaram a tocar bola.
23- Copa de 2006: a máfia da Malásia manipulou diversos jogos comprando jogadores, dentre eles Brasil 3x0 Gana e Itália 3x0 Ucrânia.
24- Copa de 1930: o Uruguai é campeão roubando descaradamente a Itália a Argentina. Na segunda, em 1934, foi a vez da Itália roubar, eliminando o Brasil com pênalti inexistente.
25- Em 1966, tivemos a copa mais imoral da história. A Inglaterra comprou quase todos os jogos da Copa de 66, até mesmo os de adversários que ela queria eliminados por times mais fracos. Ganhou a semifinal de Portugal e a final da Alemanha com gols escandalosamente irregulares. Desde então, não ganhou mais copa nenhuma.
26- Copa de 1978: então com 13 anos, tive a maior decepção futebolística ao ver a Argentina ser campeã comprando árbitros na primeira fase e na final e comprando o time do Peru (ganhou de 6x0, em fraude praticamente assumida e documentada até por escritores argentinos, sem que a FIFA nada apurasse) para desclassificar o Brasil no saldo de gols (e ainda vemos brasileiros que torcem para a Argentina e usam até a camisa dela, enquanto somos chamados de “macaquitos” por eles...). Até os horários dos jogos não foram respeitados, com o jogo do Brasil contra a Polônia sendo antecipado.
27- Em 1986, a Argentina foi campeã eliminando a Inglaterra com gol de mão e a excelente seleção da União Soviética foi operada no jogo eliminatório contra a Bélgica por um juiz... americano (em plena guerra fria)!
28- Em 1990, Maradona admitiu (recentemente) ter dado água “batizada” à seleção brasileira, sem que nada fosse apurado mais uma vez. O próprio, aliás, foi eliminado da copa para dar menos trabalho à Alemanha. Em 1994, fomos campeões com uma semifinal onde o time da Suécia parecia estranhamente letárgico. Em 1998, bem, nada precisa nem ser dito. Em 2002, roubamos descaradamente a Turquia e a Bélgica e a Coréia do Sul eliminou em arbitragens deploráveis a Itália e a Espanha.

Acho que são exemplos demais mesmo. Não tive trabalho, pois compilei material que já havia escrito no blog e em comentários de fóruns. Quem quiser conclua se foram simples coincidências ou casos de polícia...

PS: Observemos as últimas rodadas das séries A e B, porque os resultados "estranhos" continuam a surgir: a Ponte entregou mais uma, o Bahia sofreu virada no final para o Santo André, com dois gols bobos, corroborando que o seu time é a alegria do "Ramalhão" e dos cearenses (caso continue com esse elenco, pode se preparar para cair de novo) e o América (RN) mostra que é o rei das escapadas. Será que conseguirá mais uma dentre tantas? A última vaga do acesso deve ficar com o América (MG), que pega a "lojinha" da Ponte Preta. Mas lembrem que a mafiosa dos times médios e pequenos ainda está no páreo e pode tomar a vaga do América mineiro, comprando na "lojinha".

domingo, 14 de novembro de 2010

O Esquadrão voltou (em um sábado que teve de tudo).


Sim. O glorioso Esporte Clube Bahia está de volta. E com direito a ter arrasado a tradicional Portuguesa. Foram anos de sofrimento e humilhações, especialmente para torcedores mais antigos, acostumados a ver o tricolor ter sido um dia de aço e quase imbatível na saudosa Fonte Nova. Acostumados a ver o maior rival ser saco de pancadas e peteca em nossas mãos. A situação se inverteu de forma drástica e a famigerada lei Pelé, péssimas administrações, técnicos incompetentes e descompromissados, lavagens de dinheiro de certos clubes, a perda da divisão de base, jogadores mercenários e entreguistas e campeonatos baianos extremamente suspeitos (o rival usa a jurisprudência do roubo, termo por mim criado e largamente adotado pelos fanáticos petistas, para justificar suas manipulações) contribuíram para esmagar o E.C. Bahia. Mas quem tem uma torcida como essa, a maior do norte-nordeste, nunca morre. O E.C. Bahia, que por anos teve que suportar na série B boicotes escandalosos dos seus jogadores, esse ano subiu. E se fosse um pouco mais competente, teria ganho o título da série B com facilidade, já que foram inadmissíveis os empates em casa com o Brasiliense, o Vila Nova e o Bragantino e as derrotas para o Icasa e o Duque de Caxias.

Mas o sábado teve de tudo:
1- Teve o Corínthians corroborando o que todos sabem, mas não querem admitir, que o futebol é mesmo manipulado, ganhando com um pênalti tipicamente de juiz brasileiro, arranjado no final. Na copa de 2014 vamos precisar de juízes naturalizados, já que não temos mais moral, craques, técnicos competentes e campeonatos honestos. Nossos juízes são os que mais marcam pênaltis e faltas inexistentes, além de serem os que mais distribuem cartões amarelos. Nossos jogadores são os mais sem raça e mercenários do mundo.
2- Teve, portanto, a justa indignação cruzeirense, que, além disso, já tinha visto um São Paulo jogar contra ele com o coração nas chuteiras e contra o Corinthians como uma lesma disforme.
3- Teve a Ponte perdendo de forma suspeita mais uma “Incasa”, já que ganha mais dinheiro ficando na série B.
4- Teve o Náutico praticamente se livrando do rebaixamento, passando por sufoco, pois cometeu o mesmo erro do Bahia nos últimos anos.
5- Teve a maior parte da torcida do Vitória chateada, não sei por que, com a subida do E.C. Bahia, enquanto deveria ver a união da brigada paulista e do eixo RJ-SP, enquanto nós do Nordeste nos matamos, bem como deveria se preocupar mais com a ameaça de rebaixamento do seu time.
6- Teve mais um vexame do Flamengo, que namorou por alguns anos o rebaixamento, mas o noivado sempre é desfeito por interesses econômicos.
7- Teve a seleção de vôlei feminina ganhando mais uma e mostrando que só não é suprema “über alles” por que falta a elas o equilíbrio emocional que sobra na seleção masculina e um Bernardinho.

PS: 
1- Quanto mais quero me desgrudar do futebol e excluir ele do meu blog, menos consigo. A postagem anterior foi a que, disparado, teve mais visitas até hoje. Mas em breve volto a postar sobre filmes, livros e política, temas que ficam no blog às moscas.
2- Deixo claro que só expus os fatos, já que acharam na última postagem que falei barbaridades quando devia ser um ingênuo bobalhão que acredita na lisura dos esportes. Qualquer insinuação, quem quiser que adicione ou conclua por si só, já que está cada vez mais perigoso se manifestar no Brasil.
3- Conforme esperado, as meninas do vôlei amarelaram mais uma vez, a pouco, perdendo de novo um título para a Rússia. Falta mesmo um Bernardinho para elas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um por todos, todos pelo Corínthians...


Desculpem a abrupta queda de nível do blog, com assunto tão inútil, mas não podia deixar passar essa ironia:

Brigada mosqueteira paulista pró Corinthians:

Corínthians 4x2 Santos
Santos 2x3 Corínthians

Palmeiras 1x1 Corínthians
Corinthians 1x0 Palmeiras

Corinthians 3x0 São Paulo
São Paulo 0x2 Corínthians

Total de pontos que a brigada paulista deu ao Corinthians: 16 (!)


Já contra os outros...

Cruzeiro 0x0 Santos
Santos 0x1 Fluminense
Santos 4x1 Cruzeiro
Fluminense 0x3 Santos

Fluminense 1x1 Palmeiras
Palmeiras 2x3 Cruzeiro

São Paulo 2x2 Cruzeiro
Fluminense 2x2 São Paulo
Cruzeiro 0x2 São Paulo

Total de pontos que a brigada paulista conseguiu retirar dos dois principais concorrentes do Corinthians ao título, até o momento: 10 do Cruzeiro e 7 do Fluminense. O capanga menos eficiente foi o Palmeiras, que, além de deixar de dar 2 pontos ao Corinthians, deixou o Cruzeiro virar quando ganhava de 2x0. Já o São Paulo, é uma mãezona para o Corinthians há muitos anos. Perde tudo que pode. Se o Corinthians for o campeão, como as redes de TV querem, o São Paulo, principalmente, e o Santos, merecem menção honrosa e parte do troféu. Finalmente, não é todo ano que se conta com um apoio desses...

Ou seja, com rivais “inimigos” estaduais como esses, quem precisa de amigos?

sábado, 30 de outubro de 2010

Nova atualização dos supervilões (políticos) da “Marmel”.


Se você tem perdido os últimos números das suas revistas da editora brasileira “Marmel”, não precisa ficar aflito com a proliferação de novos vilões, a volta de antigos que se pensava estarem mortos e o desenvolvimento de novos poderes em certos vilões. Aqui você encontrará um breve sumário do que vem se passando no universo “Marmel”:

1- Darth Squid:
Sem dúvida, o mais poderoso, atualmente, dos supervilões. De origem humilde (hoje só bebe uísque 2000 anos por nossa conta), após servir (ou fingir, não ficou muito claro) por alguns anos ao lado bom da força, suas derrotas acachapantes para o supervilão Collorido e, de forma humilhante, por duas vezes, para o supervilão FarsaHC, entregou-se ao lado negro da força, desenvolvendo poderes inimagináveis e arrasando qualquer um que se interponha contra a sua trajetória. Seu primeiro e principal poder foi o de convencimento mental. Com ele, conseguiu convencer um bando de pessoas da população de Patetópolis, boa parte das quais paradoxalmente havia votado em Collorido e FarsaHC, a lhe colocar no poder total e absoluto. Foi desenvolvendo essa capacidade de forma tão devastadora que consegue passar impoluto pelos piores escândalos da sua quadrilha, tendo inclusive enriquecido seu pobre filho da noite para o dia, em uma manobra espetacular envolvendo telefonia. Controla tanto pobres analfabetos, quanto “intelectuais”. Controla a união dos estudantes de Patetópolis e a maior parte dos professores universitários, felizes que ficaram em receber bolsas de pesquisa vultosas, viagens nababescas e doutorados para realizar (ou copiar) trabalhos sem nenhuma utilidade ou contribuição para a humanidade. Convenceu a quase todos, de forma estarrecedora, de que não está envolvido em falcatruas e os poucos que ousam se opor a ele são agredidos em todos os âmbitos por sua vasta e fundamentalista horda de zumbis comandados. Em uma simples demonstração de seu poder, conseguiu convencer um dos seus opositores, um vilão de segundo escalão, Mangaba Unha, dando-lhe de presente uma secretaria. Também conseguiu convencer, pasmem, pessoas a lamentarem a queda de um certo imposto bancário, em uma amostra impressionante de poder. Multiplicou ministérios e cargos. Seu poder de tele transporte permite a ele viajar mais que qualquer um no planeta, sempre levando a tiracolo sua muda e inútil esposa. Seu poder de regeneração e seu fator de cura são impressionantes. É conhecido como padrinho dos pobres, mãe dos ricos e madrasta da classe media. Nada mais o atinge, na atualidade.

2- FarsaHC:
Após derrotar Darth Squid, não conseguiu fazer seu sucessor e sumiu de cena. Escritor de livros famosos, voltou-se também contra a sua ideologia (para variar) e aperfeiçoou o fisiologismo. No segundo mandato, largou Patetópolis às moscas. Embora Darth Squid não admita, foi um dos seus mentores. Darth Squid seguiu à risca os planos de FarsaHC, inclusive de mascaramento da inflação e massacre da classe média, com pequenas modificações. Foi o responsável, juntamente com Darth Squid, em tornar o correio de Patetópolis em um dos piores do mundo, quando era o melhor. Também com Darth Squid, rebaixou Patetópolis do quinto maior PIB do mundo. Sua crueldade foi tanta que comprou a emenda da reeleição presidencial. Darth Squid e sua quadrilha adoraram suas privatizações, embora neguem, com o aumento exorbitante de tarifas telefônicas e energia elétrica.

3- Coelha Microcéfala:
Sucessora de Darth Squid, foi fabricada em laboratório pelo mesmo, já que seus outros supervilões se sacrificaram por ele e se queimaram. É conhecida como mãe do PAC (palhaçada arranjada nas coxas). Não se sabe o que pode sair de sua cabecinha. De qualquer modo, Darth Squid vai sair na boa.

4-Moto-Serra:
Supervilão inimigo de Coelha Microcéfala, não teve coragem de atacar Darth Squid, pois seria esmagado pelo seu campo de força. Tem uma mania doentia por impostos e cortes e promete coisas absurdas, como um salário mínimo vultoso para Patetópolis. Trabalhava para FarsaHC com quem mantém estreito vínculo. Promete aumentar os seus poderes no futuro.

5- Collorido:
Foi caçado e colocado na geladeira, pelas mesmas razões que, inexplicavelmente, nem sequer fizeram cócegas em seus sucessores. Outrora inimigo mortal de Darth Squid, que caluniou e vilipendiou de forma vil, hoje é um dos seus maiores aliados, tendo uma ressurreição estarrecedora.

6- José Sarna:
Consegue transitar inexplicavelmente por qualquer círculo de vilões. Também é dotado de um campo de força absurdo e de uma vasta prole que continua a sua obra. Levou Patetópolis à bancarrota, mas é visto com extremo carinho pela população e por Darth Squid.

7- Renan Camaleão:
Era braço direito de Collorido. Envolveu-se em diversos escândalos, nas mais impensáveis esferas, mas com a ajuda de Darth Squid escapou ileso.

8- José Sombra:
Foi o que mais se sacrificou por Darth Squid. Saiu dos bastidores, mas sempre está por trás de tudo. É o cérebro e o mentor principal da quadrilha de Darth Squid. Continua rico e poderoso.

9- Abominável Malécio das Neves:
Tem potencial para crescer no futuro. Ninguém sabe ainda seus reais poderes, o que pode lhe dar um potencial perigoso. Ardiloso e esperto, consegue jogar dos dois lados e traficar influência.

Se você notou estranhamente a ausência de super-heróis no enredo, vá se acostumando com as historias da “Marmel”, pois eles não existem e, pelo visto, nunca existirão. Bom inútil 31/10 para todos.

PS:
ATENÇÃO: Em DIVERSAS cidades do interior do NORDESTE de Patetópolis as pessoas foram IMPEDIDAS DE SAIR EM 31/10 para serem OBRIGADAS A VOTAR. Impedidas por delegados, pela PF e por coerção quando eram funcionários públicos. A quem interessou? Onde está a democracia de Patetópolis e o direito de ir e vir? Cada vez mais caminhamos para o fundo do poço.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quanto custa um vereador? E para que serve?



Nessa época de eleição, uma das mais desanimadoras de todas, algumas dúvidas merecem ser debatidas. Começando pela segunda questão, respondo dizendo que, nas atuais circunstâncias do nosso país, um vereador praticamente não serve para NADA. A não ser sugar dinheiro público, usar o cargo como trampolim para outros mais altos e compactuar com as prefeituras, fora muito poucos, que já estão praticamente extintos ou absorvidos pelo sistema. É de minha opinião que vereadores não deveriam ser remunerados e deputados não deveriam ter tantos cargos (cabides de emprego) de assessoria. Sem querer discriminar, acho que um candidato a qualquer cargo público deveria ter pelo menos o segundo grau. O povo, mesmo a parcela pobre ou iletrada que seja, precisa é de representação útil e que saiba fazer alguma coisa. E não de um bando de encostados, oportunistas, nuelas e palhaços que não passam de figuras decorativas e vexaminosas, que só envergonham ainda mais a população e o congresso, que além de ladrões de colarinho branco passa a contar também com exibicionistas vulgares, patricinhas e personalidades histriônicas completamente inúteis, que, aliás, de pobre não tinham nem têm nada, só a conversa mole da origem humilde. Muitos se mantém ignorantes pois são preguiçosos e estudar não deixa ninguém rico. Muitos pobres têm nível cultural e de instrução superior a muita gente da classe média ou rica e poderiam representar o povo muito melhor. Respondendo de quebra à pergunta lançada por um dos piores e mais sem graça “comediantes” que dizem que vai se eleger deputado federal com facilidade, um deputado (com honrosas exceções) serve para gastar nosso dinheiro, fazer política, viajar, receber mensalões, subornos, favorecer “lobbies”, tráficos de influência e, nas horas vagas, legislar, e muito mal.

A primeira questão é fácil de responder, no caso de Salvador, conforme os dados do Jornal da Metrópole: cada vereador custa ao erário público quase o absurdo de R$ 52.000,00 por mês! É de pasmar, mas podemos observar detalhadamente (em R$):

a)Verba mensal de gabinete para montar equipe entre 12 e 23 assessores – 35.000,00;
b) Salário – 9.288,05;
c) Combustível – 1.650,00 (que é gasto como?);
d) Aluguel de carro (para que não sei) - 1.500,00;
e) Laptop – 1.500,00;
f) Alimentação – 1.056,00;
g) Correios – 700,00;
h) Motorista – 510,00;
i) Celular – 300,00;
j) Assinaturas de jornais (duvido muito que aqueles que pelo menos saibam ler leiam regularmente) – 191,00;

O total perfaz R$ 51.695,66. A tamanho descalabro, ainda existe a verba para a mesa diretora, com o presidente levando 20,3 mil, a primeira vice-presidência e a primeira secretaria 11 mil e as subseqüentes, 9,2 e 7,4 mil, respectivamente (ou seja, existe o cargo surrealista de terceiro vice-presidente!). A Corregedoria, a Ouvidoria e as lideranças de Governo e Oposição ainda abiscoitam 7,4 mil. O custo anual total de tamanha inutilidade é de R$ 26.097.864,72.

E o que fazem tão bem abastadas criaturas? Em 2010 foram realizadas somente 31 sessões (a ausência de muitos leva ao cancelamento de várias sessões). Além da evasão, os vereadores dedicam tão monumental e custoso (para nós, é claro) trabalho propondo honrarias inúteis, como concessão de medalhas e títulos de cidadão, dias específicos (como o dia do escoteiro em Salvador e o dia municipal do diácono).

Não posso revelar a fonte, mas um dos vários motoristas de determinada secretaria municipal disse que é pago para ficar o dia todo em um anexo, descansando, comendo e vendo filmes em DVD, à disposição. Hora, descubram os gastos em seus municípios com o prefeito e os vereadores e imaginem os milhares de municípios brasileiros dragando dinheiro do povo, sem nenhum retorno em segurança, educação, etc.

Com isso pensem bem em quem vão votar (ajudar a enriquecer). Muitos fizeram carreira criando um “pool” de votos em sindicatos enquanto você trabalhava de verdade. Eles sobem e os eleitores otários continuam na mesma lama. Cuidado com aqueles que se dizem de “origem humilde”. Eles estão mentindo ou na vida receberam, geralmente, uma senhora ajuda ou apadrinhamento. Cuidado também para não votar em travecos exibicionistas e escandalosos (sem nenhuma conotação homofóbica), palhaços sem graça, “modelos”, dançarinas, patricinhas e profissionais de saúde oportunistas. Lembrem que se um vereador já causa tamanho estrago, imagine um deputado e um senador... Pois pior do que está pode ficar. E com sua ajuda.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A sucessão presidencial e a jurisprudência do roubo.



Após longo período sem escrever, sinto-me obrigado a um breve comentário sobre a sucessão presidencial. Sinceramente, não tenho a mínima empolgação por essa eleição. Como no cartaz do filme Alien x Predador, “não importa quem ganhe, nós perdemos”.

A disputa se bipolariza (e bipolariza mesmo) entre dois candidatos que vão continuar exatamente com a mesma política econômica de falsificação da inflação, extorsão da classe média, congelamento total ou quase total dos salários da mesma classe e aumentos irresponsáveis e populistas do salário mínimo. Esses aumentos se esvaem em subida imediata dos preços e desemprego (será que só eu notei que, além de aumentarem os preços, as lojas e os supermercados reduziram bastante o número dos funcionários, mesmo descontando as contratações provisórias de fim de ano?). Isso sem contar as viagens nababescas inúteis, as regalias, a multiplicação e a barganha de ministérios e secretarias.

A justificativa hoje do brasileiro para qualquer roubo ou falcatrua é dizer que existiram antecedentes, e não explicar o fato em si. É desviar o foco da discussão, gerando uma cortina de fumaça. O brasileiro conseguiu criar de forma inédita o termo que eu cunho de “jurisprudência do roubo”. Tudo é desculpa para se agir desonestamente ou apoiar um partido político desonesto. Ao mensalão e outras imoralidades atuais do atual governo, opõe as privatizações escusas e as compras de votos no legislativo do governo anterior, inclusive a forma como foi decidida a emenda para a reeleição presidencial na época do primeiro mandato de FHC. A jurisprudência do roubo impregnou desde a vida profissional até o futebol, onde torcedores de certos times se regozijam com gols ilegais e títulos escandalosamente manipulados, alegando antecedentes de adversários, como se erros do passado justificassem os atuais, perpetuando assim a roda do mau destino.

Alguém analisou ou observou a postura de Serra como governador que só faltou criar IPVA para sapatos e sandálias? Ou as entrevistas de Dilma que correm soltas no “youtube”, que não só serve para divulgar as “obras” sem importância de desconhecidos ou expor a vida privada de pessoas, mas também mostra que essa candidata parece ter alguma deficiência inexplicável? Nada disso interessa ao brasileiro. Brasileiro que vota em candidatos sem coerência política nenhuma. Que vão votar ao mesmo tempo no PT, no PSDB, no PMDB, etc. Que aturam até uma propaganda que corre solta com uma canção surrealista (ou melhor, sem vergonha) que diz que Lula e Dilma apóiam Collor...

Para completar o cenário de ópera bufa, surge a violação de IR da filha do Serra. Hoje pela manhã, tive que aturar as manchetes do Führer, travestido de semi-analfabeto (falsificado, para dar uma imagem de “povão”) dizer, em mais uma de suas significativas e inteligentíssimas frases, que isto “é baixaria do Serra”. Como se sua aliança com Renan, Collor, Sarney, etc., fosse alguma coisa mais do que imoral. Como se o súbito enriquecimento do seu filhinho, criando uma empresa de fachada comprada por milhões, merecesse que denominação? Também tive que aturar a declaração de Dilma de que antes éramos devedores e hoje somos credores. Quem é credor? O povo endividado que passa fome e mora em minúsculas casas de barro batido, cheio de parasitoses, ou o governo que manda dinheiro a rodo para Haiti, Grécia, etc.e fica de quatro para a Bolívia e o Paraguai, mas é incapaz de ter dinheiro para assistir vítimas brasileiras de enchentes?

O que interessa é a fanática religião política criada, a mitificação do candidato, ou de quem está por trás dele, para defender o indefensável. Mas povo não lê nem vê noticiários, nem vê o que presta na internet. Não passa de massa de manobra e criatório, gado (que se reproduz como nunca) de votos. E a “elite cultural” (boa parte dos professores universitários que mamam em bolsas esdrúxulas e nunca escutaram uma obra de Brahms ou mesmo de Beethoven completa, e a maioria dos estudantes, que entram numa universidade sem saber nada de História, sem saber resolver sequer uma equação de segundo grau ou um problema banal de física) lê, assiste e finge que tudo é mentira. Viva Der Führer, Il Duce. O único na história desse país a controlar até a UNE. O homem intocável, jenseits von Gut und Böse. Todo poder a ele.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

As frases mais sem graça, chatas ou burras da história (parte 1).


Só para início de conversa, aí vão algumas:

1- “Não se arrependa do que você fez, mas do que não fez.”
Frase clichê de auto-ajuda, completamente inconsistente com a lógica. Conforme disse antes, quem deixa de fazer algo fez outra coisa, tomou uma decisão. Também é impossível se arrepender de alguma coisa não feita se você não sabe que consequências sofreria. Ou seja, idiotice total.

2- “Ninguém é insubstituível”, ou a sua contrária, “ninguém é substituível.”
Frases amadoras, também de auto-ajuda. No primeiro caso, algumas pessoas são perfeitamente insubstituíveis. Um pai ou uma mãe para um filho e vice-versa.  Um gênio científico ou artístico. Um grande líder político (espécie extinta). Um grande estrategista de guerra. O empreendedor de Shumpeter, capaz de abalar a ordem econômica e social vigente. No segundo, existem pessoas perfeitamente substituíveis em seus trabalhos, a depender do que fazem. Frases relativas e estúpidas, colocadas em tom de absolutas.

3- “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.
Com todo o respeito do mundo ao gênio Einstein, a frase se perdeu por sua obsolescência, obviedade e inconsistência. Vencer um preconceito é uma das coisas mais difíceis "desde os primórdios da humanidade" (atenção, esta também é uma frase clichê). E continua sendo, precisando de leis para conter o animal tribal ou de bando dentro de cada um. Preconceitos raciais, estéticos, religiosos, sexuais, contra doentes, etc. E a maioria acha que venceu, ou faz de conta para ser politicamente correto ou chocar os mais preconceituosos, ou mesmo para não ir parar na cadeia. Já desintegrar um átomo é das coisas mais fáceis pela ciência atual. Pior ainda se for um determinado radioisótopo, que tenha meia vida curta e que se desintegra por si mesmo, sem ajuda de nada.

4- “Aquilo que não me mata me torna mais forte”.
Não foi isso que aconteceu com Nietzsche, que foi piorando sua saúde física e mental a cada dia. Se analisarmos no terreno metafísico ou psicológico, é inválida, pois traumas, recalques e abusos podem conduzir a situações lamentáveis. Se a frase é aplicada em alguns casos de derrotas pessoais, pode até ser válida. Quanto ao terreno físico, isso até pode ser verdadeiro quando se trata de uma infecção que gere uma resposta imunológica persistente e não deixe sequelas. Mas ninguém fica mais forte após doenças degenerativas, infartos, acidentes vasculares e doenças metabólicas, por exemplo. Nem ninguém fica mais forte ingerindo alimentos de péssima qualidade ou sobrevivendo a acidentes e disparos de arma de fogo, por exemplo. Frase extremamente relativa, usada e abusada em auto-ajuda, mais uma vez, fora do contexto da obra original.

5- “Alguns enxergam o copo meio vazio. Eu enxergo meio cheio.”
Frasezinha chata, que ninguém aguenta mais ver em filmes e em livros. De tanto ser repetida, ficou insuportável. Em minha opinião, quem enxerga meio cheio é conformista, está de estômago lotado ou está com preguiça ou sem dinheiro para encher de novo o copo. Aliás, a frase depende mais da saciedade, do estado de repleção do estômago do que de qualquer outra coisa. De qualquer forma, o objeto observado é o mesmo e o que muda é a verbalização da percepção. A interpretação final, por mais Cândido (personagem de Voltaire, no caso) que o bobo seja, é de que falta conteúdo no copo, pois meio é meio em qualquer lugar e de qualquer forma.

PS: quem se lembrar de outras, pode incluir que eu comento depois em nova postagem.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Os Falsificadores (da inflação).



O fim da inflação?

De acordo com o governo e com as jornalistas metidas a economistas, a inflação no Brasil morreu e houve uma grande redução da pobreza por conta disso. Acredito que tais madames não devem pisar nunca em supermercados. Analisemos a média de alguns preços de mercadorias em 10 anos, para ver se isso vale mesmo, desde as mais caras até as mais simplórias:

MERCADORIA
1999
2009
Caminhonete diesel cabine dupla
40.000
109.000
Astra
23.000
53.000
Ford Ka
9.000
28.000
Frango
0,98
3,75
Coração de frango (kg)
4
10
Queijo prato (kg)*
2,99
13,5
Manteiga (500 g)
2,5
7
Farinha (kg)
0,5
2,3
Lata de Coca Cola
0,39
1,1
Lata de Cerveja
0,5
1,2
Feijão (kg)
0,9
3 a 5
Filé Mignon
9
22 a 25
Bife de coxão duro (500 g)
4,5
10
Papel higiênico (rolo)**
0,4
1,2
Revista em quadrinhos***
2,5
6,5

















*Aquele queijo que só usávamos para limpar metal e sapatos na década de 1970, já que ninguém comia essa porcaria, só o queijo reino, cujos preços atuais são mesmo de realeza.
**E ainda se leve em conta que diminuiu em 10 metros.
***Com piora da qualidade do papel e redução do número de páginas.


Alguma coisa parece errada. Ainda mais quando notamos que a nota de R$ 1,00 sumiu e só existem moedas com esse valor (primeiro sinal de que a coisa não vai bem). O zumbi continua vivo, embora sem a força que tinha antes, mas com a força atual subestimada. De fato, a falácia se baseia em preços de eletrodomésticos, têxteis e material de informática, além de alguns vegetais que um dia sobem outro dia descem de preço e vice-versa. Quanto aos eletrodomésticos e ao material de informática, os preços foram reduzidos em decorrência da variedade e da obsolescência. Faço uma simples pergunta: o computador e a TV ditos “top de linha” tiveram mesmo uma redução do preço, ou a redução é ilusória às custas das latas velhas? Alguns artigos de informática baixaram de preço pela grande banalização, como mídias e gravadores. Os CDs e os DVDs baixaram de preço pelo duro golpe que receberam da internet e da pirataria. O seu “notebook” (nunca entendi por que nome tão ridículo) baixou de preço pela bondosa ação dos produtores ou porque ficou obsoleto? Os têxteis baixaram de preço, por sua vez, pela economia informal e pela megaprodução vinda de países com mão de obra barata. Os produtos ditos “de marca”, apesar de praticamente iguais, são reservados aos esnobes. Os aumentos de salários mínimos, em minha opinião irresponsáveis (pois os outros não sobem e os custos são transferidos às mercadorias – notaram que as famosas liquidações pós-natal sumiram depois que passaram o aumento para jameiro?), dão a falsa ilusão de que a pobreza foi reduzida por truque vagabundo de mágica baseado em matemática barata, que não atualizou as faixas salariais para a definição. Bem como pela denominação e legalização de pobres barracos e “apertamentos” com o pomposo termo de “casa própria”, quem sabe para ajudar no desmatamento já feito pelas ricas residências e na arrecadação galopante de IPTUs. Além disso, ficou mais fácil o crédito e o consumo de celulares e eletrodomésticos comprados a 36 prestações. Além disso, a telefonia fixa ficou mais acessível, não por generosidade, mas pelo aumento escandaloso do preço mensal das assinaturas e do preço das ligações. O que os governos FHC e Lula fizeram foi trucagem de circo. Alegando desindexação, a única coisa que realizaram foi congelar os salários da classe média e ficar no mexe remexe das taxas de juros. O Brasil exporta carros para México e Argentina, que são vendidos, pasmem, mais baratos lá. Quanto ao preço galopante das carnes de frango e de boi, é paradoxal em um dos maiores (e por vezes o maior) exportadores desses gêneros no mundo.

PS: Não adianta argumentar com a pressão mundial dos preços dos alimentos pois isso é fenômeno mais recente e os reajustes nacionais dos preços dos alimentos, especialmente laticínios, já vinham ocorrendo de forma esdrúxula há vários anos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A final do fim dos tempos.

E a FIFA conseguiu mesmo fabricar um novo campeão! Com justiça? Com a Holanda roubando Brasil e Uruguai e a Espanha roubando Paraguai e Alemanha? Com justiça? Salvo engano, a menos que ocorra na final, não me lembro de um time que se sagrou campeão mundial não ter ganho nenhuma partida por mais de 2 gols de um adversário em toda a Copa. Acho que esta será a primeira vez. Que grandes porcarias Espanha e Holanda, que não convenceram a mim em uma única partida sequer. Que não golearam ninguém e fizeram a maior parte dos gols em oportunismo e erros de "abutragem" (quem prestou atenção viu que os dois gols da Holanda contra o Brasil surgiram de jogadas que nasceram em irregularidades). Se a Holanda for a campeã mundial, corremos riscos climáticos tamanha a nuvem negra de maconha que vai impregnar a atmosfera terrestre...

Contra o Brasil, a falta que originou o primeiro gol não houve. O escanteio foi precedido por jogada irregular holandesa. Fora o pênalti não marcado em Kaká. A Holanda ganhou do Uruguai com gol de impedimento e com pênalti não marcado para os uruguaios. Infelizmente, só vêem os lances dos gols, e mais nada. Da mesma forma, um dos gols da França, em 2006 contra a Espanha, surgiu a partir de cruzamento de falta inexistente. Roubar não é só em impedimentos, pênaltis ou bolas que entraram ou não. É um processo mais discreto, de ir minando o adversário. Só idiotas roubam escandalosamente.

Mas, mutretas e choros a parte, acho que ambas já mereciam um título mundial. Não dessa forma tosca. Mas considerando pelo conjunto da obra, especialmente a Holanda, que tive o prazer (e a avançada idade) de ter visto brilhar e dar espetáculos em 1974 e em 1978.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Um final condizente para o Brasil? Ou não?




Para não dizer que não comentei nada na data de hoje sobre a desclassificação da selecinha, peço desculpas por inserir essa postagem inapropriada ao nível da maioria das anteriores. Mas, sem querer chorar, e independentemente das más atuações, será que ninguém notou que os dois gols da Holanda tiveram o seu nascedouro em jogadas completamente irregulares, contendo erros grosseiros da arbitragem, que não devem ser mostrados nos “replays”?

Retiro de textos do blog do Juca Kfouri (que recomendo, para quem quiser saber mais sobre o jogo de hoje) algumas considerações:

1- “Em se tratando das Copas, quando tais recursos são amplamente empregados, o que se espera é que a memória registre e a história eternize os gols, os dribles, os craques, a beleza do jogo, enfim, e não tais erros, sobretudo porque são passíveis de imediata revisão. Caso contrário, diante da alta tecnologia disponível para se acompanhar uma partida (até em celulares), logo estará em xeque a própria credibilidade do jogo.” (Túlio Velho Barreto e Jorge Ventura de Morais, sobre o uso de tecnologia de monitoramento no futebol).

2- “Na Copa de 2002, a Espanha e a Itália foram roubadas grotescamente. Era importante para a Fifa que a Coreia do Sul passasse adiante. Não foi culpa dos jogadores, mas as razões políticas e econômicas se impuseram.” (Do repórter investigativo Andrew Jennings, em entrevista no “Estadão”, na postagem “A Fifa controla o dinheiro, marca os adversários e dribla a Justiça”).

Também sem querer me apresentar como falso profeta, já havia dito a muita gente e comentado aqui que a FIFA jamais deixaria o Brasil ser hexacampeão, pois seria muito, já que provavelmente ganharemos a próxima Copa por razões extra-campo óbvias. Quanto à Holanda, já está preparada para ser campeã, pois já entendeu como o jogo funciona, ao contrário dos antigos e talentosos times que possuía: com muita encenação, catimba, provocação e deselegância, embora eu ache que a FIFA já tem seu campeão escolhido antes mesmo da copa começar. São os “bons companheiros” em ação lenta, velada e quase imperceptível.

PS: Da Folha de São Paulo, ainda teve mais essa: "Quem também teve influência nisso foi o árbitro japonês Yuichi Nishimura, que não assinalou um pênalti de De Jong sobre Kaká. Nishimura ainda irritou os jogadores brasileiros, que reclamaram do ritmo que ele imprimiu à partida."

A Dívida (The Debt - Ha-Hov).



The Debt (Ha-Hov) é um filme israelense de 2007 que, para o bem ou para o mal, ganha uma refilmagem americana produzida pela Disney, agora em 2010. O longa conta a história de três agentes do Mossad que, nos anos 60, perseguem um terrível criminoso de guerra nazista, Maximilian Reiner, conhecido como o “cirurgião de Birkenau”, tamanhas as atrocidades que fazia com os judeus, como, por exemplo, amputar e transplantar membros. Os três, em uma sucessão de erros incomum ao Mossad, deixam o carrasco nazista escapar. Silenciam sobre o fato, apresentando a versão de que foram obrigados a matá-lo por tentativa de fuga e defesa própria. São homenageados e tidos como heróis em Israel. Porém, como a mentira cobra as suas dívidas e persegue incansavelmente os seus autores como as Erínias da mitologia grega, Maximilian Reiner reaparece em um asilo na Ucrânia e os três agentes do Mossad têm que limpar a situação e fazer o que não tinham feito.

Pessoalmente, achei um grande filme e recomendo a todos que assistam, se tiverem acesso, antes de assistir o “remake” que vai ser exibido ainda este ano. Prestem atenção com cuidado nos diálogos do filme e na boa atuação de Gila Almagor como a agente do Mossad, Rachel (ou Rajel) Berner. Os diálogos inquietam e acredito que possam incomodar tanto àqueles que queiram se isentar das atrocidades realizadas em qualquer guerra, nesse caso os alemães, como também até aos próprios judeus, que sentiram na pele o hediondo holocausto, pois deixa transparecer certa passividade de alguns deles frente à morte.

No primeiro caso, um dos agentes diz ao “cirurgião de Birkenau” que, no julgamento, ele argumentará como todos os assassinos de guerra: “Você dirá que foi um peão no sistema. Que só seguiu ordens.” O carrasco em momento algum admite arrependimento nem isenta ninguém da matança, quando pergunta ironicamente: “Então estávamos todos loucos? Loucura temporária?”

No segundo caso, o mais impactante, é posto em jogo a pouca resistência que alguns judeus tiveram ao holocausto, de forma contundente, ainda mais se levando em conta que o filme é israelense e teve coragem de surpreender com as seguintes falas do carrasco nazista, que transcrevo “ipsis litteris”:

“Vocês, os judeus, nunca souberam como matar. Souberam como morrer.”

“Sabe por que foi tão fácil exterminá-los? Porque o judeu é egoísta. Cada um de vocês pensava só em si mesmo. Como fazer para chegar à hora seguinte, ao dia seguinte. Como evitar ser açoitado ou ser chutado. Por que acha que só quatro soldados bastavam para conduzir mil pessoas às câmaras de gás? Famílias inteiras. Porque nenhum só desses mil se atreveu a resistir. Atreveu correr o risco de ser o primeiro a cair.”

Um extraordinário filme para refletir, e não somente para ser observado rapidamente como simples filme de ação.

sábado, 26 de junho de 2010

The Last Station.


Este filme merece todo o nosso respeito. É uma verdadeira obra de arte que deve ser degustada lentamente e com atenção, com um elenco arrasador, com destaque para Christopher Plummer, Helen Mirren e Paul Giamatti, para mim um dos maiores atores da atualidade, versátil e profissional. O filme conta a fase final da vida de um dos maiores escritores de todos os tempos, Leon Tolstoy (ou Tolstoi), autor, como todos sabem, de obras primas como Guerra e Paz e Anna Karenina. Tolstoy, interpretado de forma grandiosa por Plummer, já está velho e no final da vida. Tornou-se um fanático religioso, fundador de seita, de forma que os seus seguidores auto denominam-se “tolstoyanos”. A religião idealizada por Tolstoy, que passou a se vestir como um monge, embora tivesse muitos bens (que sempre que pode divide), é baseada no amor a Deus e ao próximo, na divisão de bens e na igualdade social. Era completamente contrária à violência e ao controle de autoridades jurídicas. Isso o leva a inevitáveis conflitos com a sua esposa, a condessa Sofya Tolstaya (interpretada por Helen Mirren, cada vez melhor atriz, se é que fosse possível, e sabendo envelhecer com dignidade, ao contrário de certas pseudo-atrizes canastronas e insuportáveis). É óbvio que a condessa não deixa de ter as suas razões para os excessos de fanatismo do marido e de uma das filhas do casal, dilapidando o patrimônio da família de forma despreocupada. O melhor amigo de Tolstoy, Vladimir Chertkov (Paul Giamatti) é o maior defensor da sua ideologia, até mais que o próprio Tolstoy, chegando a influenciá-lo pesadamente após ter sido “cria” dele e também se tornando o maior adversário de sua esposa. Giamatti, aliás, merecia há muito tempo um maior respeito e um Oscar.

Duas coisas chamam a atenção no filme. Os diálogos de Tolstoy são fantásticos. Em um deles, afirma que todas as religiões têm uma coisa em comum: o amor. Infelizmente, o grande Tolstoy esqueceu, como bom idealista, que todas as religiões têm também em comum a formação de hierarquias internas e a presença inevitável de pessoas que criam “cleros” privilegiados, ávidos de poder, de boa vida e do dinheiro dos fiéis. Tolstoy é tão humilde que em um momento afirma ao seu interlocutor, um jovem, que o considerava melhor “tolstoyano” até do que ele próprio, numa cena antológica. Admite com grandiosidade os erros cometidos no passado, como um bom cristão deve fazer, bem como que, apesar de não mais fazê-los e ter se arrependido, ter às vezes saudades de alguns deles. Ou seja, ressalta a máxima virtude: saber se controlar frente às tentações do mundo por mais mudado que esteja o seu caráter. Tolstoy, diferentemente da grande maioria dos líderes religiosos, não se considera acima dos outros nem tampouco um líder espiritual irretocável. Afirma que “não escrevo para as editoras, escrevo para as pessoas”. Que contraste em comparação com certos escritores medíocres da atualidade! Por isso Tolstoy foi único. Por isso ouso dizer, em minha modesta opinião, que a literatura russa, com Dostoyevsky (meu escritor preferido), Tolstoy, Gogol e outros, conseguiu ser a maior de todos os tempos, superando mesmo as respeitáveis literaturas francesa (com Balzac e Proust) e inglesa (com Shakespeare).

O outro aspecto que é fenomenal e comovente no filme é a relação de Tolstoy com a sua esposa. Embora discordem em quase tudo, às vezes tenham discussões inflamadas e a esposa tenha que suportar os excessos de fanatismo do marido, ambos se amam intensamente, como uma lição aos casamentos de hoje e mesmo de todos os tempos que o amor verdadeiro, o amor de 1Cor. 13, supera qualquer discordância, discussões ou mesmo brigas. É um amor onde um é a fonte inspiradora do outro. É um amor exemplar para ser levado até a morte. Enfim, um filme inesquecível.